William Anglin

1a

Por Wedrey Valente Brum

O irmão William Anglin chegou a Conceição de Carangola por volta de 1930, deixando a sua siderúrgica na Inglaterra. Passou a viver uma vida totalmente diferente da que era acostumado em seu país de primeiro mundo. Agora estava rodeado de pés de café, bois e, muita poeira. Em 1931 ele comprou terras de um senhor chamado Paragibe, aumentando assim o terreno que fora inicialmente de Stuart Edmund McNair. Esse sítio ficou sendo a sede da associação.

 

 

2Casa  construída  por  Anglin em 1931

Apesar de ser um homem com muitos recursos financeiros, sempre foi humilde. Sua simplicidade era vista de longe. Com bondoso coração ajudava a todos que vinham até sua casa pedindo algo.

Trabalhou na alfabetização de crianças e adultos, e nas férias, sempre levava os
alunos para passar uns dias agradáveis no litoral capixaba, em Marataízes, onde também
recebiam instruções bíblicas. Eram dias preciosos para as pobres crianças mineiras que
nunca haviam visto o mar.

3Escola em Conceição de Carangola

4Crian ças em Marataízes com  William Anglin e  Arthur Wood

5
Casa dos ingleses em Marataízes

Como era um ótimo professor, Anglin também dava aulas de português para seus
conterrâneos recém chegados no Brasil. Vários ingleses que vinham como missionários,
passavam algum tempo em Conceição para aprender a língua portuguesa, entre eles estão
o casal Alberto & Edith Clayton , Kenneth Jones, Stanley Hughes, Mary Netherton, entre
muitos outros.

6aAlbert e Edith Clayton

 

6bStanley e Eileen Hughes

 

7Mary Netherton                                                             Kenneth Jones

Anglin tinha um grande interesse na evangelização de crianças. Ele realmente
amava a meninada. Nem se importava quando estavam marrons de brincar na poeira e no
barro. Ele sempre tratou das crianças com muito amor cristão. Certa vez disse as seguintes
palavras: “Se as crianças não forem bem educadas na Palavra de Deus e crescerem na
ignorância da mesma, a Igreja no futuro será enfraquecida e satanás poderá mais
facilmente derrubá-la”.
Tinha também trabalho com os jovens, ensaiando hinos com auxílio de seu órgão
toda quinta-feira, na sala de sua casa. Seu verdadeiro interesse não era formar um
conjunto, mas sim treinar as vozes das pessoas de qualquer idade para entoar com
harmonia os hinos de louvor a Deus, pois só Ele é digno de nosso verdadeiro louvor. Era
um tempo muito especial, cantando com sinceridade àquele que se entregou por nós.

8aJovens que ensaiavam hinos com  Anglin

 

8bÓrgão  de William Anglin

Escreveu e traduziu muitos hinos, além de outras literaturas.
Foi também um grande ensinar na igreja local em Conceição. Ele descreveu como
era aquela igreja: “Nós somos uma assembléia altamente respeitada em Conceição. A
maioria calça, ou suporta, botas nos Domingos e em reuniões especiais. Embora muitas
vezes, silenciosamente eles tiravam os calçados debaixo dos bancos durante a reunião.
Alguns dos nossos bancos, também, têm encostos, que dão um ar de conforto que nos faz
realizados se a reunião é longa. O corredor central, como é de costume, divide os sexos.
As mulheres entram pela porta lateral, e preenchem um dos lados do salão, juntamente
com a parte jovem da família, nem mesmo o membro mais novo da família era deixado
para trás. Os homens entram pela porta da frente, e preenchem o outro lado do salão. Nas
orações, todos ficam de pé. As mulheres não usam chapéus, exceto quando estão em uma
longa jornada à cavalo ou de trem. As mulheres cristãs usam um véu ou um lenço sobre suas cabeças                                  durante as reuniões.

9As montanhas de Conceição de Carangola.  Foto tirada por William Anglin.

W.A. viajou pelo Vale do Rio Doce pregando o evangelho no lombo do burro
chamado Figurão. Passou por vários buracos, montanhas, vargens, levando solavancos e
passando por toda sorte de perigos, mas sempre animado e com um sorriso no rosto, pois
ele sabia que O Senhor sofreu muito mais por ele.
Anglin comentou sobre como eram suas viagens. Ele disse algo mais ou menos
assim:
“O pregador vai montado em um cavalo, carregando consigo o seu kit para a viagem.
Ele vai acompanhado por um irmão nativo, que serve como guia. A viajem começa logo
após o café da manhã, e vai até o final da tarde, viajando de vinte a quarenta milhas ao sol
tropical, sobre as colinas, vales, passando por fazendas de café, por florestas , atravessando
rios e riachos , até que cerca de 4 da tarde ele chega ao próximo ponto de parada. A
chegada é anunciada por quatro ou cinco cães que saem correndo como se quisessem
devorar os cavalos e os homens, latindo furiosamente, até que um menino chega e ordena
que eles fiquem quietos, então eles saem com o rabo entre as pernas, e imediatamente
reconhecem os recém-chegados como amigos.”
“Quando entramos na casa, o pai, a mãe, e a dúzia de filhos, vêm apertar as nossas mãos,
inclusive o filho de dezoito meses de idade, enquanto o bebê, um ano mais novo, é levado
por uma irmã mais velha, que o faz estender os braços e apertar as mãos.”

“Depois de um tempo, tomamos cada um, uma pequena xícara de café preto. A refeição vai demorar cerca de duas horas para ser servida. A família já havia jantado. A refeição é composta por três itens, feijão preto, arroz e um mingau sem sabor feito de farinha de milho, que é chamado de “Angu”. Os dois primeiros são misturados com gordura de porco, e este último carece sal. O mesmo cardápio serve para as duas refeições diárias. Quando tudo está pronto, somos convidados a entrar na cozinha, que geralmente é o maior cômodo da casa.”

“O chefe da casa dá graças pelo alimento, e em seguida, os hóspedes são convidados a ir até o fogão e retirar sua comida. Sentamos em bancos de madeira com o prato entre os joelhos, e passamos a desfrutar do jantar. Os cães (agora bons amigos), talvez alguns gatos, certamente um número de galinhas, e às vezes alguns porcos “estão à caça” e quando aparece alguma coisa para eles comerem, há uma disputa. A competição é tão acirrada que devemos ter cuidado, se não um pouco de carne de porco preto é adicionado ao menu.”

“Antes de terminarmos a refeição, o povo vai se ajuntando para a reunião. As mulheres arrumam a cozinha e juntamente com o restante da família, assistem os visitantes acabarem de comer. Terminamos a comida gordurosa, então nos é oferecido um pequeno copo de café, o que nos faz verdadeiramente agradecidos. Uma ou duas minúsculas lâmpadas são acesas que dão muita fumaça e uma luz fraca. Os bancos são organizados para a reunião. O quarto e cada parte da casa estão cheia de gente, muitos dos quais vieram de vários quilômetros de distância. Começamos a primeira parte da reunião cantando hinos ou ensinando um novo coro até que todos estejam presentes. Todos os que chegam apertam as mãos de todos os que chegaram antes deles, não omitindo a menos criança, e geralmente repetem o processo quando vão embora. Se existem 50 pessoas, cada um dos recém-chegados, incluindo o pregador, vai ter que apertar as mãos 50 vezes. Após a oração, para a qual todos nós nos levantamos, a pregação começa. A lâmpada dá uma luz fraca, e a fumaça que ela faz, perturba o pregador, às vezes. O ambiente é quente, e mais adequado para a transpiração do que a respiração, mas estas desvantagens são muitas vezes esquecidos quando o pregador aquece o seu tema. As pessoas ouvem com atenção. O pregador tem de ser de um tipo muito simples e caseiro. Qual é o resultado? Pode uma simples conversa ter algum efeito? Humanamente falando, esperar que a reunião tenha muito efeito parece tolo. É preciso lembrar que o evangelho é o poder de Deus, e as vidas transformadas, como a do nosso anfitrião e outros, são as provas do poder. Quando se percebe isso, sente-se que vale a pena ir e semear a semente, levando a mensagem sobre vales e montes, alegrando-se de ser portador de “Boas Novas”.

10W.A. em uma de suas viagens à cavalo

 

11Chapéu  de palha           e                                           lanterna de Anglin

Mais tarde mudou-se para aquela região o Sr. Arthur Wood, que foi seu companheiro de
trabalho.

O tempo passou, a idade chegou, e com ela a doença. Por este motivo, o querido amigo, professor, pai e irmão, teve que voltar para a Inglaterra, onde permaneceu firme, até que O Senhor o chamou para O Lar Celestial. Anglin foi exemplo vivo de que as riquezas deste mundo não servem de nada. A verdadeira riqueza nos foi dada através do sangue precioso que O Senhor Jesus Cristo derramou por nós. William Anglin sabia disso e, com certeza ele pôde fazer suas as palavras do apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, cabei a carreira, guardei a fé.” II Tm 4:7.

12William Anglin 1882 – 1965

 

O nosso agradecimento sincero aos irmãos Claudilene Mafra e Wedrey Valente Brum pelo belo trabalho e pela oportunidade que nos concedeu de expor este histórico.

 

 

 

8 Responses to William Anglin

  1. MUITO NOS ORGULHA EM SABER QUE ESSES IRMÃOS LEVARAM A PALAVRA DE SALVAÇÃO À REGIÃO DA MINHA TERRA NATAL “AIMORÉS”, E TAMBÉM NO NORTE DO ESPIRITO SANTO ONDE HOJE MORAMOS “BARRA DE SÃO FRANCISCO”.NOSSA FAMÍLIA, DESDE MEUS BISAVÓS TIVERAM A OPORTUNIDADE DE CONHECER ESSE TRABALHO EM SÃO FRANCISCO DO GLÓRIA – CARANGOLA.

  2. CLAUDILENE DE OLIVEIRA MAFRA CIRELI disse:

    A cada livro lido a cada historia contada,vemos Deus cuidando e abençoando este lugar maravilhoso e vemos a fé desses irmãos e o exemplo deles,com muito sacrifício e o que me faz pensar,o que eu faço pela obra de Deus com muito mais privilégios que eles,agradeço a Deus por ter nascido neste lugar.

  3. José Donizete Muniz disse:

    É muito bom conhecer parte da vida de irmãos preciosos como foram muitos no pioneirismo do Evangelho de Cristo no Brasil, irmãos que se esmeraram, esforçando se para divulgar o Evangelho e salvar vidas.
    Certamente tais irmãos já receberam a recompensa, estando com Cristo JESUS desfrutando das bençãos celestiais.
    Infelizmente não temos muitas coisas escritas deixadas por tais irmãos, talvez devido a dificuldade daquela época, pois tudo era escasso e certamente papel, tinta, etc não era fácil, e também guardar tais coisas era também muito difícil, mas o pouco que foi registrada, seja para glorificar o nome de Deus e Jesus.

  4. Claudia Dantas de Amorim disse:

    Amo este lugar que foi parte de minhas instruções espirituais ao longo da minha vida. Há mais de 20 anos estou colaborando com o ABC de crianças, levando, aconselhando e evangelizando crianças. Agradeço ao Senhor por este servo que ELE enviou a Conceição de Carangola para este tão grande ministério.

  5. Hemos de imitar la fe de lo que se condujeron mediante ella, dejando atrás todo cuando ellos podrían considerar de valor en esta vida. Que Dios permita que podamos seguir tales ejemplo de fe, como los que se muestran en hebreos 11.
    Saludos!!!

  6. Gosto muito de saber as histórias destes amados irmãos que vieram aqui para o Brasil por Amor ao Senhor Jesus. A Deus todo hora e toda glória.

  7. Fernanda Monteiro disse:

    Muito interessante saber sobre este grande homem de Deuse. Muito bom! Deus seja louvado!

  8. James Jardine disse:

    Muito boa esta apresentação. É como me lembro dos saudosos Kenneth, Stanley e Eileen! É o que Sr. Kenneth me contou também.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>